Manual de Instruções

by - sexta-feira, outubro 02, 2015

Nunca deixes a tristeza do teu passado e o medo do teu futuro arruinar a felicidade do presente.
Lembro-me perfeitamente de no pior dos meus 13 anos gritar aos céus o porquê de não haver um livro de instruções. Um livro que nos ensinasse a viver, que nos ensinasse a ser adolescente. Para a maioria esta pode parecer uma pergunta tola, estúpida mesmo, talvez, mas para mim tinha sentido.

Aos 13 anos passei por um período bastante complicado (que só me tornou mais forte e cautelosa) e não soube lidar com todos os problemas que me foram surgindo nessa altura. Tudo era extremamente difícil. Era difícil encaixar nos padrões de adolescente normal, era difícil encaixar nos padrões de filha obediente, era difícil encaixar nos padrões de boa aluna, impostos pelos que me rodeavam. De todos os lados a pressão era mais que muita, e lá estava eu, no centro, a tentar segurar a máscara a todo o custo.

Claro que não consegui. Era demasiado difícil. Cedi, um ano depois. E não foi bonito. Foi ainda mais difícil. E aí lembrei-me de algo que uma amiga me disse num desses meus acessos de desespero Se existisse um livro de instruções, seria ainda pior, porque se o livro nos dissesse o que devemos fazer, faríamos o oposto, porque faz parte da nossa natureza contraria o que deve ser feito. E ela tinha razão...

Hoje sou diferente. Hoje não acredito nas pessoas. Hoje não tento encaixar-me nos padrões da sociedade. Hoje levanto um dedo quando disparam "bocas" contra mim. Hoje não me relaciono com os que me rodeiam. Hoje não quero saber do que pensam de mim. Hoje dou-me com quem me quer bem, com quem me faz rir, com quem sei que posso ser eu mesma. Hoje não me tento integrar em grupos nos quais não me encaixo. Hoje não quero ser aceite. Hoje quero ser eu mesma.

Eu não deixo a tristeza do meu passado nem o medo do meu futuro (que é tanto...) interferir com as alegrias do presente, mas não vou dizer que o meu passado não me moldou. Seria mentira. O meu passado fez-me assim. Fez com que não confiasse nas pessoas. Fez-me uma ilha. Neste momento, na minha turma, sou uma ilha. Sinto-me uma ilha!

Vivo na minha bolha. Sou a rapariga sentada sozinha ao fundo da sala. Não digo nada a ninguém e ninguém me diz nada a mim. Não há bocas nem falsos elogios. E sim, ainda bem que não havia um manual de instruções, porque assim concluí que se ele existisse, eu teria feito as coisas ainda pior do que fiz, e estaria neste momento ainda pior do que estou. Estou à tona, estou a flutuar, estou na minha bolha, a minha ilha, e é desconfortavelmente confortável.
Margarida

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2 comentários

  1. Eu espero conseguir ultrapassar a minha fase menos boa como tu o fizeste, esses sentimentos que tinhas, tenho eu agora. Também me tornei numa ilha. Havemos de ser felizes :)
    Beijinhos,

    Saturn's Mermaid

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  2. Se é assim que estás feliz, apoio-te!

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