Há dias assim...

by - domingo, novembro 08, 2015


Eu já me senti assim antes, tão insegura...


Estava a planear escrever um post sobre como os fim de dia são fáceis, como são difíceis as manhãs. Como sinto que tenho amigos agora. Como os testes andam a correr bem, apesar de não serem brilhantes. Como as coisas em casa não andam mal... estava a planear escrever um post sobre como depois de uma tempestade, por muito grande que seja, vem sempre um arco íris, porque foi assim o último ano, uma grande tempestade que causou muitos danos.

Mas depois aconteceu um dia. O dia que fez questão de me lembrar que a vida não é fácil, e que os tempos difíceis não acabaram ainda. Que ainda há muito para vir. Ainda vão haver muitas lágrimas derramadas, muitos choros abafados, muita raiva contida, muitas palavras não proferidas. Ainda há muito para acontecer, e a minha alma voltou a transbordar tristeza, mágoa, velhas angústias.

Esse foi um dia mau péssimo! Como há muito não tinha. Tudo começou apenas às 4h da tarde, a meio do teste de matemática quando comecei a ver que não conseguia resolver certos exercícios, ou melhor, que os estava a resolver incorretamente. Também não consegui acabar o teste... se tirar 10, vou ficar contente, mesmo (e eu só disse isto uma vez na vida, e tirei negativa dessa vez)! Depois saí do teste frustrada, claro, e foi quando entrei na aula de Física e Química que me lembrei que não tinha posto nome no teste, ainda fui à procura do professor, mas já não estava na escola.

Depois cheguei a casa, e o meu pai, como habitual, fez-me sentir uma inútil, mas já estou habituada. Depois a minha mãe chegou e... surpresa! Um dos professores do conservatório esteve a falar com ela: que eu ando desmotivada, de má vontade, e nada empenhada. Claro! E então quando chegou a casa veio falar comigo.

Aproveitou, claro, para me atirar à cara todo o dinheiro que gasta comigo: a explicação, o violino (que repito incessantemente que não quero), a psicóloga... e as notas que não são suficientes para entrar no Porto ou em Coimbra! 


E que não consigo as notas que pretendo porque sou muito auto confiante e que é por isso que não estudo. Se ela soubesse o quanto eu estudo! Se ela soubesse a pouca confiança que tenho... mas ela não sabe, e eu não lhe digo. Não lhe digo porque me parece mais fácil assim.

E neste dia voltei a sentir-me a mergulhar naquela tristeza profunda que há um ano que não sentia. Senti que não podia respirar, senti aquela dor cá dentro, aquela vontade de gritar. Senti aquela vontade de escrever que apenas surge nos dias mais negros, e escrevi, demasiadas páginas, num tempo demasiado reduzido.

E depois aquela necessidade de ficar à janela a observar a cidade que se estende pelo horizonte, o som dos carros, abrir a janela e sentir o frio, sentir a chuva que cai do céu, e nem me importar! Sentar-me no parapeito do meu 9º andar e olhar cá para baixo. Fazer o que já não fazia há um ano, sentir o que já não sentia há um ano.

Não me julgues
E depois, abrir a caixa que já não abria há um ano. A caixa que jurei nunca mais procurar... Mas procurei, e por baixo de tudo o que lá tinha posto, achei no fundo aquilo que lá tinha guardado. E fechei-me na casa de banho, com o alcool, o algodão, e aquilo. E pu-las na minha mão... e olhei para as cicatrizes antigas, nos braços, nas pernas... e vontade de ver o sangue correr novamente foi tão grande, maior que eu, toda aquela energia, toda aquela vontade era superior a mim.


Mas ainda assim, aquele bocadinho pequenino e inseguro de sensatez, venceu. Lembrou-me do passado, do quanto as coisas seriam piores depois de derramar o sangue... e parei. Parei porque o passado não tem de se repetir. Eu não quero que o passado se repita, e porque acho que o passado existe, e o lembramos, exatamente para não cometermos os mesmos erros.

Este foi provavelmente um dos piores dias dos últimos tempos, mas eu acho que serviu para me mostrar que ainda há um longo caminho a percorrer, e que vão haver buracos enormes no caminho, e eu vou cair quase sempre, a diferença vai ser sobre como eu decido sair desse buraco, e acho que este dia também me mostrou que apesar de tudo, consigo controlar-me e consigo lembrar o passado e mudar o meu futuro... Não tenho de ser a pessoa que fui, não tenho de continuar a ser a pessoa que sou...

Peço desculpa terem de aturar o desabafo, e peço desculpa se deixou alguém perturbado, mas há momentos em que só preciso de desabafar, despejar tudo.
Margarida

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2 comentários

  1. Há dias em que tudo parece desabar e há poucas coisas que não nos deixam cair, e se escrever for uma delas, que seja. Escreve tudo aquilo que sentires, aquilo que te apetece. Escreve quantas páginas forem necessárias para não te deixares ir abaixo e fazer aquilo que já fizeste antes. Também tenho dias em que poucas são as coisas que não me deixam cair. Mas o mais difícil é levantar, levantar e perceber que esta não foi nem vai ser a ultima vez que caímos, mas o lado positivo? Acordar um dia, no futuro, olhar para trás e perceber o tudo por que passámos e ter orgulho nisso e nas pessoas em que nos tornámos, pois o meu objetivo é esse. Por um lado, não deixes que a escola te consuma, mas por outro, luta o quanto for necessário para obteres aquilo que desejas.

    Desculpa o tamanho do texto ;)
    Se precisares podes entrar em contacto comigo sempre que quiseres.
    Beijinhos, Sky Dreams
    meandtheworldbysky.blogspot.pt

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  2. Aconteça o que acontecer ninguém tem o direito de te julgar! NINGUÉM!
    Lembra-te que sempre que precisares de falar eu estou aqui!

    Um beijinho <3

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