RASCUNHOS | Porque gosto de ti...

by - terça-feira, fevereiro 14, 2017

[ESCRITO ALGURES EM MARÇO 2016]


Nunca quis ver, porque era mais fácil. Sempre soube, e sempre ignorei. Porque sempre soube que só me trarias sofrimento. Não tu, esta maldita distância. Esta injustiça. Sempre esperei que passasse. Tentei enganar-me, enganar este sentimento. E pensei que o tinha conseguido, que a atração pelos outros tinha conseguido despistar o verdadeiro sentimento que tenho por ti, que o meu coração se tivesse esquecido onde fica o norte. Mas não.


Esta viagem teve tanto de boa como de confusa. Amei a viagem, amei a cidade que já tão bem conheço e tu conheces, amei o jantar, o almoço, a conversa, amei os nossos momentos enrolados na manta a rir, a conversar, a trocar olhares e palavras sinceras.

E foi quando menos esperava que o disseste, entre brincadeiras e disparates. Mas disseste-o. Disseste tudo o que sentias. Que sentes. E que eu sinto. E que não queria sentir. Não queria que sentisses. Não queria que dissesses. Não queria. Não quero.

Com apenas algumas frases conseguiste por-me a sonhar. Quiseste por-me a sonhar. Sonhaste em voz alta comigo. Sonhámos os dois. E depois voltámos à realidade. Porque existem 370 km entre nós. E dois anos entre os sonhos e as possibilidades. E o tempo corre mas não o suficiente. Porque também os sentimentos se desvanecem, também os sonhos são postos de lado.

E surge em mim esta raiva. Raiva de mim. Raiva de ti. Raiva do destino. Raiva do que quer que tenha feito as coisas serem assim. Raiva porque no meio de tantas injustiças sinto de esta é a maior de todas. Esta é a que me faz chorar mais sem que haja um culpado.



Tive saudades tuas no exato momento em que me soltaste do teu abraço e o carro se afastou rumo a casa. As tuas promessas ecoaram-me por toda a viagem... 3h de viagem, e 3h às voltas na cama à noite. As tuas palavras, as tuas promessas, os nossos sonhos...

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