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Flor do Mar




Após alguns meses afastada, decidi voltar ao projeto A Cultura Mora Aqui. Basicamente este é um projeto maravilhoso coordenado pela fantástica Ju (do blog Cor Sem Fim) e que todos os meses nos desafia a escrever sobre um novo tema. Normalmente são temas que nos incentivam a sair da zona de conforto, a refletir, e a fugir à norma de post "comercial" que cada vez mais se encontra na blogosfera. Para saberes mais sobre este projeta entra em contacto pelo facebook ou pelo e-mail acma.cultura@gmail.com.

O tema escolhido para este último mês de 2017 foi AMBIÇÃO. Como tal decidi primeiramente ir pesquisar qual o significado da palavra no dicionário priberam e eis o resultado:


Ou seja, ser detentor desta qualidade, de ambição, tanto pode ser encarado como algo positivo como como algo negativo. Do meu ponto de vista o que distingue o positivo do negativo é a medida em que se utiliza a ambição e a maneira como pretendemos alcançar os nossos objetivos.

E como sou uma apaixonada pelos filmes da Disney decidi ilustrar estes dois tipos de ambição com personagens destes filmes intemporais.

1. AMBIÇÃO = AVIDEZ, COBIÇA
|| Cruella de Vile (101 Dálmatas) || Ursula (A Pequena Sereia) || Governador Ratcliffe (Pocahontas) ||
|| Mãe/bruxa (Entrelaçados) || Madrasta/bruxa (A Branca de Neve) ||

Escolhi estes vilões para representar a avidez e a cobiça da ambição de algumas pessoas. Qualquer um destes personagens estava disposto a tudo para alcançar o seu objetivo:
  • Cruella mataria quantos dálmatas fossem necessários para fazer o seu casaco;
  • A Ursula quer para si a voz de Ariel, força-a a assinar um contrato e faz tudo quanto pode para que esta não consiga beijar o príncipe (e Ariel recuperaria a sua voz);
  • Governador Ratcliffe quer enriquecer e está disposto a escravizar os índios nativos da região, destruir a floresta e matar todos os que se lhe opuserem;
  • A bruxa que rapta Rapunzel e a que esta reconhece como "mãe" aprisiona-a há 18 anos para gozar dos poderes mágicos do seu cabelo que lhe concedem a juventude eterna;
  • A madrasta de Branca de Neve ambiciona ser a mais bela e quando o seu espelho lhe responde que a mais bela é Branca de Neve esta manda um caçador matá-la e trazer-lhe o seu coração como prova.
Infelizmente não é algo que  apenas dos filmes da Disney e nem sempre o problema se resolve. Este tipo de ambição leva-nos a não querer saber quem prejudicamos e magoamos desde que consigamos ver a nossa ânsia de sucesso, poder e reconhecimento saciada.

Muita atenção pessoal, ninguém quer sair prejudicado por estas pessoas, por isso certifiquem-se de que não se tornam nessa pessoa também. Não tem mal querer enriquecer, ser mais bonito, parecer mais jovem, ter mais poder, desde que para isso não tenhamos de espezinhar todos os que estiverem no nosso caminho.

2. AMBIÇÃO = ASPIRAÇÃO
|| Vaiana (ou Moana) || Mérida (Brave Indomável) || Simba (O Rei da Selva) || Rapunzel (Entrelaçados) || Mulan (Mulan) ||
Desta vez, a ambição destes personagens é algo positivo, uma força que os move, algo maior que pretendem alcançar para um bem maior. Uma causa nobre até, se quisermos ver as coisas dessa maneira:

  • Vaiana ambiciona encontrar a ilha lendária e ultrapassa todos os obstáculos para o conseguir;
  • Desde o início da história Mérida revela-se uma personagem ambiciosa ao querer demonstra que não é por ser mulher que é menos que os homens. Apesar de ao longo da história o objetivo se alterar, a ambição mantém-se;
  • Simba ambiciona recuperar o seu lugar como rei da selva e afastar do poder o seu tio que aterroriza todos;
  • A ambição de Rapunzel é tão simples como querer ver as lanternas serem lançadas para o céu, não fosse ela estar aprisionada numa torre e ter medo do desconhecido mundo exterior, acabando por vencer esses medos e ajudando todos no seu caminho;
  • Mulan consegue tornar-se num dos melhores guerreiros do exército Chinês e salvar o imperador.
Claro que, mais uma vez, a vida não é como nas animações da Disney e nem tudo nos é tão fácil como nos filmes mas eu ainda sou das que acredita que com muita garra, determinação e um bom coração tudo é possível. 
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...ou 17 anos, 7 meses e 7 dias.



Hoje venho aqui manifestar a minha incredulidade perante o facto e a tomada de consciência de que dentro de 146 dias me torno, legalmente, independente, maior, adulta. Dentro de 146 dias faço 18 anos!

Ainda não estou bem em mim, passei anos à espera deste dia, à espera que a vida avançasse, que andasse mais depressa, que corresse, saltasse se pudesse estes últimos anos infernais. E agora não sei se quero.

Não é que não queira, mas não sei se quero.

Passando à frente as típicas mensagens de aniversário (já podes ir presa, beber, comprar tabaco, votar, tirar a carta, etc), com os 18 vem (ou devia vir) uma tomada de consciência de que a partir desse momento nos tornamos parte de algo maior: uma sociedade! Não é que até aqui não o fossemos ainda, mas a partir desse dia passa-se a ter uma palavra, um voto, uma influência.

Ou assim espero que seja...

Receio não estar à altura do desafio, mas afinal, acredito que aos 18 anos poucos estejam. Afinal 6575 dias são apenas um número arbitrário em que alguém acho que já éramos suficientemente adultos para tomar decisões...
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Talvez pensem que sou uma rapariga solitária, pelo que escrevo por aqui, mas os meus (verdadeiros) amigos sabem que sou eu quem normalmente liga ou manda mensagem a dizer "temos de ir beber um café" ou "vamos comer um gelado" que é a minha maneira de dizer "estou cheia de saudades tuas".

Talvez no passado me tenha querido isolar o mais possível de tudo e todos (ainda há dias em que quero, é normal) mas com o tempo e a vivência aprendi que rodearmo-nos das pessoas de quem gostamos faz bem e é mais terapêutico que qualquer droga receitada por um médico.

Por isso nada de "Ah, devo estar a incomodar" e "Ah sou uma chata"! Se forem mesmo vossos amigos, o mais certo é também terem saudades vossas e, afinal, o pior que pode acontecer é ouvirem um "Desculpa mas ando cheio de coisas, não vai dar" mas se a pessoa gostar mesmo de vocês, o que vai dizer é "olha porque é que não combinamos antes para dia X, depois da minha frequência?!". Se a pessoa não mostrar interesse em estar com vocês então não é vosso amigo e nem é alguém valha realmente a pena ter na vossa vida.

Porque sabe tão bem estar uma hora ou duas à conversa num bar perdido de esquina a beber um café ou chá ou até mesmo uma somersby com um amigo enquanto se conversa... podem ser grupos ou só eu e tu, e sabe sempre bem, sabe sempre a família, sabe sempre a um aconchego da alma.

Nem sei bem de onde é que este post veio, mas senti que devia partilhar.

















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Há muito tempo que não consigo escrever. Há demasiado, para dizer a verdade. Mas talvez esse seja um efeito secundário desta minha depressão. Deixo também aqui explícito que a partir deste dia sei que não escrevo apenas para desconhecidos e amigos virtuais, a partir de hoje sei que estou também a escrever para a minha irmã de 12 anos (meu amor, peço-te desculpa por tudo o que eventualmente já leste acerca de mim e que não sabias até aí. Desculpa porque te amo e não queria que soubesses, não queria que sofresses).

Mas decidi que hoje é dia de falar a minha verdade. Hoje é dia de explicar a minha pessoa (sobretudo a ti, porque sei que esta é a conversa que nunca conseguiremos ter). Hoje é dia de clarificar o que sou e o que sinto, porque já o devia ter feito há mais tempo, porque ao descomplicar os sentimentos, ao po-los por escrito, estou também a descomplexá-los na minha cabeça. É como se saísse do meu corpo, deixasse de ser eu o problema, e passasse a olhá-lo a partir de fora, como se olhasse para outra pessoa.


Mal sabia eu o que estava por vir...
... não foi culpa de ninguém!


Há coisas que estão geneticamente destinadas a acontecer... e a depressão foi só mais uma característica que veio impressa no meu genoma tal como os meus olhos castanhos e o cabelo ondulado.

Inicialmente era só um sussurro que vinha lá do fundo de um recanto sombrio e longínquo. Mas com o tempo esse sussurro foi-se transformando numa voz segura, já não estava num recanto longínquo. Disse-me que me afastasse dos outros, que só lhes causava sofrimento, que todos estariam melhor sem mim, e eu, coitada, com 12 anos fui acreditando e obedecendo.


Durante anos culpei-me por tudo...
...hoje sei que não podia ter feito nada!


Entre o início e o agora passaram já muitos anos. Muitos anos, muitos traumas, muitos choros, muito sangue, muitas cicatrizes, muitas zangas e sobretudo muitos pensamentos. Já tomei comprimidos e eventualmente acabei por ser diagnosticada com depressão (já tardiamente) em certa altura.


Mas o que é a depressão?


Ter depressão não é "fazer-se coitadinho, vítima" e não se cura por "mudar o olhar sobre a vida", e também não é só estar triste durante uns dias por alguma razão em concreto.

Depressão é algo bem mais complexo do que isso.

A depressão é, para mim, um turbilhão de sentimentos e emoções negativos que me tomam de uma maneira incontrolável e avassaladora. Há dias em que a simples tarefa de sair da cama e cumprir a rotina matinal se traduz numa dor acutilante que me paralisa. E tudo isto por razão nenhuma. Abrir os olhos pela manhã e sentir-me como se não os tivesse fechado durante toda a noite. É um cansaço da alma sem qualquer explicação fácil.

Mas não é constante. Tem fases. Altos e baixos, consigo parecer bem a grande maioria do tempo. Mas isso não quer dizer que esteja tudo bem, e temos de parar de dizer que só está deprimido quem quer. Sim, consigo controlá-lo, às vezes... nem sempre. Aprendi a desenvolver mecanismos de "sobrevivência", o que não impede que a doença lá continue.

E peço desculpa se isto foi só mais uma dissertação sem sentido... mas precisa de expor aqui isto. Obrigada.
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Resultado de imagem para women day tumblr

Segundo o dicionário...

mu·lher (latim mulier, -eris) substantivo feminino
1. Ser humano do sexo feminino.
2. Pessoa adulta do sexo feminino.
3. Pessoa do sexo feminino casada com outra, em relação a esta. = CÔNJUGE, ESPOSA
4. Pessoa do sexo feminino com quem se mantém uma relação sentimental e/ou sexual. = COMPANHEIRA

Mas... não será ser mulher mais do que apenas uma condição física...? A ausência de um pénis à nascença e a presença de mamas na puberdade?!

Quantas vezes cada uma de nós já não foi considerada inferior a um rapaz simplesmente por ele ser rapaz e nós raparigas?! Quantas vezes cada uma nós já não teve de aturar aquelas piadinhas machistas sobre "voltar para a cozinha" de algum professor ou num grupo de amigos homens?! Quantas vezes cada uma de nós já não ouviu dos pais ou amigos que "a saia é muito curta" ou "o decote muito grande" e que era por isso que depois "as coisas" acontecem?! Quantos relatos de mulheres violadas serem culpabilizadas porque "estavam bêbedas" ou "vestidas assim" e por isso "estavam a pedi-las"?!

Provavelmente mais de muitas, mais do que as supostas, mais do que aquelas que devem ser consideráveis aceitáveis. Provavelmente ser mulher não deveria significar ouvir tudo isto. Não deveria significar baixar a cabeça e sentir desconfortável quando se passa sozinha numa rua cheia de homens. Não deveria significar sentir-se sempre inferior a qualquer homem só por ser homem e eu ser mulher.

Mas não me entendam mal, ser mulher é algo maravilhoso. Ser mulher é ter o dom de dar vida, de criar vida... Ser mulher é ter uma capacidade transcendente de amar, é saber chorar e saber ser forte, é saber que temos de fazer o dobro para ser visto como igual.

Porque é que se parte do pressuposto que a mulher deve ser quem cuida dos filhos, da casa, cozinha, vai às compras, ainda que tenha o seu próprio emprego, e é o homem quem deve ter o melhor salário e sustentar maioritariamente a família?! Porque é que a mulher é vista como tão delicada que precisa de um homem a seu lado para que a sua vida ganhe o mínimo de sentido?! Porque é que no mundo em que vivemos ainda há mulheres a serem condenadas porque foram violadas?! Porque é que as nossas mães e avós nos ensinam a cozinhar, lavar roupa, passar a ferro, coser, fazer a lida da casa, mas não aos nossos irmãos?! Porque é que sendo mulher tenho de ter cuidado com o que visto, e não é o meu colega que tem de ter tento nas mãos e palavras?!

Então mas... o que é ser mulher?! Só sei que ainda não o sou aos meus 16 (quase 17) anos. Não o sou porque ainda não me vejo como tal. Mas sei que o serei. E sei que essa é talvez uma das mais difíceis condições que terei de enfrentar porque, apesar de ter nascido num país onde a desigualdade é menor (mas ainda assim existente), acredito que só estarei segura quando souber que se tivesse nascido mulher num outro qualquer ponto do mundo não seria mutilada, ou julgada, ou condicionada, aprisionada, por ser aquilo que de mais belo se pode ser... SER MULHER!
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Os leitores que me têm acompanhado (ainda que escreva cada vez menos) já devem conhecer o projeto A Cultura Mora Aqui. Mas para quem não conhece, resumidamente, é um conjunto de posts mensais de um grupo de bloggers sobre um tema específico, e qualquer um pode participar!

O tema deste mês são os sentimentos! Não, não me vou para aqui a falar amor e lamechices tais, características deste mês em que parece que todos os adolescentes encontram a sua alma gémea (mais que não seja só por um mês) exceto eu!

Mas saltando essa parte à frente... (e porque hoje até estou bem disposta e por isso acho que este post vai estar cheio de piadas e ironia...), hoje venho-vos falar sobre o voluntariado que fiz para a Cidade Europeia do Desporto.

Oh Margarida, então mas e o que é que isso tem haver com sentimentos?! perguntam vocês... bem, vou contar-vos o que é que esta experiência enriquecedora me fez sentir e algumas das coisas que aprendi e vou também dar alguns conselhos para quem pensar um dia envolver-se em projetos deste género.

But first things, first...

Setúbal foi eleita a Cidade Europeia do Desporto para 2016. Como tal, e devido ao apoio que ia ser necessário para todos os eventos planeados, a câmara abriu uma bolsa de voluntariado, na qual qualquer um se podia inscrever, apartir dos 16 anos. And I did it!

Tenho a dizer-vos que, apesar de muitas vezes as coisas não terem corrido da melhor forma (porque ser voluntário em eventos cheios de gente importante é complicado) foi uma experiência bastante gratificante da qual trago imensos amigos e aprendi a lidar com algumas situações de tensão de melhor maneira.

Houve situações de grande stress nomeadamente na final de futebol de praia onde o tempo de jogo é bastante curto e qualquer bola fora que demore muito tempo a ser posta em campo pode prejudicar grandemente uma das equipas. Ora, quem é que são os atira-bolas?! Os voluntários, claro. E quem são as pessoas mais fáceis de culpar sempre quando alguma coisa corre mal?! Os voluntários! Houve inclusivamente uma situação em que um jogador que estava no banco começou a gritar comigo por algo que nem era da minha responsabilidade. Ora, à primeira vez encolhi-me e acatei, mas no intervalo fui falar com o responsável pelos voluntários que foi falar com o jogador (que reagiu igualmente mal com o meu superior, e que mais tarde acabou por ser expulso por ofender os árbitros da partida) e eu fui para uma outra ponta onde não havia ninguém para gritar comigo e tudo correu bem.

Nesta situação senti-me frustrada e intimidada porque estão a imaginar o que é eu, uma gaja com menos de 40kg, e um atleta profissional, com mais do dobro do meu tamanho e peso, right?!

Também houve situações em que trabalhei cerca de 10h por dia (três dias seguidos) e nem almoço me pagaram...

Os voluntários são muitas vezes desvalorizados, mas a verdade é que sem nós há muitas coisas que não seriam possíveis, coisas que podem parecer absolutamente insignificantes mas que se não existirem é tudo uma grande confusão.

Bem... se tiverem oportunidade de participar em alguma iniciativa do género, façam-no! A sério!

Aqui ficam alguns blogs do projeto ACMA e o contacto da coordenadora (Ju) para contactarem caso queiram participar!

Girly Girls Think Pink || My Boulevard || Chique e Geek || Cinderela Aventureira

Cor Sem Fim
corsemfim@gmail.com
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Margarida. 17 anos. Setúbal, Portugal.

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